Confederação Brasileira de Boliche comemora 25 anos

Fundada em 1° de dezembro de 1993, surgiu com o desmembramento da modalidade da Confederação Brasileira de Desportos Terrestres. Hoje reúne 14 federações e representa mais de 1200 atletas no país.

Uma atividade física democrática e divertida, que a maioria das pessoas já praticou pelo menos uma vez na vida, mesmo que tenha sido só por lazer. Gente de qualquer idade, peso e altura pode arremessar uma bola sobre uma pista para tentar atingir 10 pinos e, quem sabe, derrubar todos de uma vez e fazer um strike perfeito. Mas boliche é esporte de precisão e estratégia: exige do atleta concentração, equilíbrio, técnica e treino. Para unir quem joga e incentivar a prática em todos os níveis, foi criada a Confederação Brasileira de Boliche (CBBOL). A organização reúne as federações da Bahia, Capixaba, do Distrito Federal, de Goiás, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, do Pará, do Paraná, de Pernambuco, do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e São Paulo e é responsável pela organização dos eventos nacionais e também por ações de fortalecimento do esporte.

O ano do vigésimo quinto aniversário da entidade, que regulamenta a prática do boliche no Brasil e é reconhecida e vinculada ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), foi marcado por muitas medalhas.  Em 2018, a jogadora Stephanie Martins, de São Paulo, foi campeã pan-americana e bateu o recorde da modalidade com pontos superiores ao recorde da categoria masculina. “Fui jogar com o objetivo de estar entre as 16 melhores mulheres na classificação final, como preparação para os Jogos de 2019. Só soube do recorde quando acabei a última linha daquele dia. Foi surreal.”

Ela começou a jogar aos 8 anos, como brincadeira. Aos 12 já disputava o circuito nacional e aos 15 participou do primeiro internacional. Com 24 anos se tornou jogadora profissional nos Estados Unidos e a brasileira segue se aperfeiçoando com cursos técnicos e o apoio da CBBOL: “Vejo o quanto nosso atual presidente luta para conseguir patrocínio e dinheiro pro nosso esporte”, ressalta Stephanie, ao valorizar o que tem sido realizado.

Para fechar 2018, o atleta Marcelo Suartz, paulista que vive atualmente no Rio de Janeiro, ficou entre os dez primeiros em campeonato mundial realizado em Las Vegas, que reuniu 149 atletas, de 83 países: “Estou me empenhando muito e trabalhando minha mente para que no ano que vem eu esteja mais preparado para o Pan-americano e ganhe um campeonato mundial pro Brasil”.

Marcelo fala sobre a evolução do esporte graças à dedicação da CBBOL: “Estamos no caminho certo. Esta gestão é, sem dúvida, a que mais avançou, principalmente na estruturação de dados, no planejamento e na organização financeira da entidade. Agora nosso grande desafio é entrar nas Olímpiadas de 2024”.

Ao longo destes 25 anos os atletas brasileiros trouxeram medalhas sul-americanas na divisão adulta e na divisão juvenil e também conquistaram várias pan-americanas. O Brasil sediou o campeonato pan-americano deste ano e as duplas brasileiras terminaram com a prata no masculino e o bronze no feminino. Além disso, Bruno Costa (Minas Gerais) também subiu ao pódio para receber o bronze no individual.

Para o presidente da CBBOL, Guy Igliori, o boliche brasileiro está em ascensão mundial: “Isso é resultado, principalmente, do afinco dos atletas. A confederação pretende manter este alto nível, contribuindo para o aumento da prática esportiva em todos os níveis, do lazer ao alto rendimento. Além disso, o quanto antes possível, pretendemos instalar no Brasil um centro de treinamento”.

Histórico de destaques

Há mais de 200 mil pistas de boliche no mundo, com cerca de 130 milhões de atletas em quase 100 países. No Brasil, em 2010, havia mais de 2 mil pistas e média de 1 milhão e 200 mil praticantes. Os resultados do país no esporte estão cada dia mais notáveis. A modalidade ainda não tem a mesma tradição de países como os Estados Unidos, mas está cada dia mais desenvolvido.

Em 1995, por exemplo, São Paulo foi sede da Copa Mundial AMF, com participação de mais de 50 países. No ano seguinte, Brasília recebeu o XI Campeonato Sul-Americano de Boliche, com recorde de participação e títulos inéditos para o Brasil: de Campeão Sul-americano nas categorias adulto e juvenil masculino.

Em 2007, o Rio de Janeiro foi sede da modalidade nos Jogos Pan-Americanos. Pela primeira vez na história, o boliche brasileiro ganhou medalha nos Jogos, com prata para Fábio Rezende (São Paulo) e Rodrigo Hermes (Paraná). Em 2011, o Brasil conquistou o bronze no Pan de Guadalajara com o atleta Marcelo Suartz que, em 2015, trouxe o ouro dos Jogos de Toronto. Ele também terminou 2016 na quinta posição no campeonato mundial individual no Catar, firmando boliche brasileiro entre os 10 melhores do mundo.

Próximos passos

Desde o ano passado, a confederação realiza um trabalho de modernização dos estatutos, com foco em governança, transparência, equidade e gestão. O objetivo é elevar a entidade aos patamares de outras organizações esportivas que são referência mundial.

Para o presidente da CBBOL, esse processo é necessário e inadiável: “Nosso foco principal é deixar a entidade dentro de padrões internacionais de governança e transparência com efetiva participação dos atletas nas decisões. O resultado desse esforço será um legado de credibilidade para as futuras gerações do boliche brasileiro”, afirma Igliori.

Para 2019, já estão previstos cerca de 20 campeonatos, sendo 6 internacionais (um deles no brasil), mas a expectativa é a realização de pelo menos 60 eventos.  Confira o calendário, que está em constante atualização, em www.bolichebrasil.com.br/eventos /